Aqui estando
e, no entanto,
como se não estivesse.
Como se um corpo de vento
me transportasse,
em asas de firmamento
até aos limites da consciência,
esse horizonte incalculável.
Vivendo
e, contudo,
como se não vivesse.
Atravessando a vida
num rio sem pontes
como se fosse sombra
da lua passeando na terra
deixando mais memória que sinal.
Existindo,
não obstante
o não existir.
Caravela de sonho e vertigem,
naufrágio de aportar,
como uma língua
de terra no mar,
sem maré para navegar.
E nesta inacção,
que o corpo prende
mas a mente liberta,
me encontro, pequeno eu,
nas raízes de minhas ilusões.
Utopia reinante e Justiça
arrastar-se, exangue,
perseguindo sonambulismos.
Largar o passado
sem ver futuro
esse sim, o desafio
brumosos passos me levarão
onde minha vontade aprouver
Aqui, já não
há força para caminhar
que este trilho é jocoso.
Aqui, sentindo...
como podia eu não sentir?
Se na garganta se cala o peito?
E vejo estarolas esgrimir
lições de quem as não aprendeu,
não poderei seguir eu,
pois, que as provadas,
ainda as espero plasmadas.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
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