segunda-feira, 29 de outubro de 2012

It was pingating from the clowds, but now is chovating

Chove-me a alma e é dor que derramo na negra calçada, como negra a vida que suga os sonhos de quem respira e aspira. Não são nuvens, mas ódios encaixotados, que o vento sopra, de sudoeste. Não são ventos mas instruções mecanizadas que trituram os homens e os cospem, na rua molhada de sua dignidade perdida. Escorre-me a força e a vontade, vão dar ao Tejo, esse, ao menos, tem caminho ainda aberto para o mar... até que o desviem, abusem e violem, como ao espírito do homem, actual.
Como, por vezes penso, seria viver dessas vidas que fecham os olhos à realidade, mas ela sempre me perfura, em tom baixo e insinuante, repleto de lugares comuns desmentidos por si mesmos. Como se alheiam em gráficos coloridos e pacotes percentuais sem cabimento, certos esses, pergunto-me, como não se desvanecem no cerne dessas interpretações facciosas, face à crueza de suas implicações? Como lançam seu corpo à cama e se levantam pela manhã, prenhes de optimismo para destruír vidas, vidas de quem não se conhece, vidas por vezes longínquas, outras tão perto, jogadas à rua da desilusão.
Certas vezes olho para o mundo e vejo metade tão pobre que não é home nem é vida, a outra metade, dividida em quem se mata a trabalhar e aufere só para se manter a trabalhar, pagando cada vez mais para ter cada vez menos e outra metade que apenas quer ter um lugar em que possa servilmente dedicar-se também a essa ambição de ser escravo de senhores que lhes cospem em cima, e ser explorado até se conseguir espelhar a China proletária, que estende sua roupa e dá de comer aos filhos entre os motores fabris em produção constante, sem ver o sol dançar no céu, sem sentir chuva no rosto ou o silêncio estrelado da noite.. É isso que querem? Paquistaneses? Ide para o Paquistão, então, eles tem kalashnikovs que tiram muitas ilusões a tanta gente, poderão ter algumas munições só para vós...
No topo desta tripartida humanidade, uma pequena massa humana (pois que de humano pouco têm), de mãos em bolsos recheados, charutos de carne e espirituosas on the rocks, canibalizando seus semelhantes, Mengelesinhos da merda em seus gabinetes duplex, soltando faíscas entre propostas laboratoriais de experimentação social, onde o homem, imerso, caminha, alheio aos bens e males que o atravessam e delimitam, sem que consiga sentir o aperto do cerco, a saída do corredor, o olho do furacão.
Onde estão os Homens, que os não vejo? Onde está essa espécie que conseguiu realizar tantas maravilhas? Perdeu-se, algures, numa translação transladada mais acentuada da Terra? Saíu de circulação? Perdeu a validade? Não estará bem escondido dentro da Humanidade, essa multidão de indivíduos diferenciados que se habituou a ser tratado como massa e já não se reconhece como SER? Se for massa que leve tomate. E natas, com alguns cogumelos, porque não. mas assim, massa branca, fina e crua?
Por onde olho, apenas a depressão espreita, de esquina em esquina, de mão estendida à atenção inusitada de estranhos que se atravessam no seu caminho que não é seu, circulando em suas ruas que não são suas. São vidas esvaídas, entregues em holocausto no mercado, esvaziadas já de tudo o que a superficialidade não trai, pintando em demãos aguadas a sua vida tão desprovida de cor como seu futuro, alimentando com parcos gravetos os sonhos que os mantém, como máquinas de manutenção de vida, seus sonhos são os jardins que plantam e que a realidade não rega, senhos que não fazem lucrar o mercado, que os não consegue provar com a verve, os aromas e a gana de quem os tem. Mas os sonhos não põem pão na mesa, sabes, e de tanto marrar os cornos contra as paredes da vida, às tantas, até parece que estão almofadadas, fadados estamos nós a ver fenecer os sonhos na sarjeta da sociedade fascista que se constroi defronte ao nosso olhar descapitalizado.
Sobem os juros e eu juro que são só os que me cobram, os restantes, juro que descem. E o mercado, que mais não é que uma transposição em entidade sobrenatural de pessoas mais ou menos comuns, mais ou menos pessoas, que para não perderem o que a ganância lhes garantiu, não oscilam quando toca a enfiar um vai bardamerda nas mãos de seu vizinho, enquanto lhes fecha a porta na cara. Ah! Mas para quem marrou nas esquinas da parede da vida tantas vezes, como a madeira da porta é macia.
Querem-nos quebrados, vencidos, derrotados, somos assim uma massa mais fácil de moldar, mais amorfa e se princípios, não viste, em Auschwitz, não reparaste, em Dauchau? Não muito diferente dos campos em que nos encontramos, clorizados, que trabalhar liberta, mas liberta o quê, se cativos estamos?
E somam-se todos os dias, aos magotes, famintos e entrapados, os exemplos de ontem, com suas vidas eram seguras e se perderam, como seus futuros brilhantes, traçados à partida se desfizeram e estilhaçaram. Tão depressa... quase tão depressa como se hipotecam bens que afinal foram só males.
Às vezes, espelham-se homens na rua. Um de fato e gravata, cavalheiro prestável, olha as horas no seu relógio suíço frente a frente com um sem abrigo que lhe mendiga uma moeda, uma côdea dura de pão. Apenas há comunicação de um lado, chocando com a indiferença e desdém do outro. E o que os separa é tão pouco, que nem é quantificável, na análise qualitativa de suas vidas, contudo é como se um fosso intransponível os separasse, barreira que urge desmistificar, com o risco de se perder o que há de humano nuns e noutros, entregues às insanidades relativas de suas vidas alienadas.
Chove e não é chuva, é a tristeza que do céu se desmancha e vem lavar a terra e as almas dos homens da sua iniquidade. Mas os homens, fascinados com o luxo que é lixo, cedo correm para se continuarem a sujar, fechando empresas, baixando salários, cortando apoios e subsídios a quem deles depende, matando à fome o povo e depositando suas doces poupanças na mesa do banqueiro.
Por vezes penso, sinto e sei, que bom que era, numa única rotação em torno de seu eixo, que o mundo mudasse o Homem, o aproximasse de si mesmo e o fizesse reconhecer-se nos outros, essa cintilação que é, de facto, universal e partilhada por todos

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Diz o Poeta ao Pintor: A Guerra é um horror

O sol perfura brumosa matina

entre estacas, pinhos ramos abertos
Nas sombras efectua sua chacina
Perscruta, examina locais cobertos
Bem sabe que as trevas se ocultam
lá, onde a verdade não brilha
e que os adivinhos oscultam
os segredos da Antiga Ilha


Sabei, magos, negros corvos
que a vera alma refulge sem par
resplandece em vivos corpos
tal sua vontade de se manifestar
Faiscam reflexos obsidiana
negros bicos que debicam
a carniça pinga lascas, tutano
Pois que a pensásteis ufana
e frementes, seus olhos fitam
a assombrosa face do arcano


Ricochetam relâmpagos sobre meu escudo
Dardos com veneno, vísceras, bruxedos
caem, serpentíneos, a meus pés alados.
O Inimigo todo ataque observa, mudo
investe então com a tortuosa voz dos medos
para se extinguirem, pétreos, calados.


Exsudam-se vinganças no vítreo rosto
lágrimas, fel que se liberta
vencidas pelo orvalho, fenecem
ante fortalezas que de bem se tecem
frutos de uma consciência que desperta
ergue-se outro rei, estando o velho deposto


Minha espada não corta corpos
Minha lança não fere almas
A seta que aponto é à injustiça
Cambaleiam homens fracos, já torpes
e ainda se ouvem o ecoar das palmas
que a má memória aos homens atiça


Um dos flancos do cerco se levanta
seu líder tomba, carecendo de legitimidade
o araúto, tomado de desgraça, canta
mil vilanagens se mantém nos portões da cidade
mas ainda subsistem salteadores
acossados em avulsas surtidas
à volta da muralha e arredores
reclamando sangue, tomando vidas.


Na caverna, o eremita saúda, rindo
o sol que tacteia seu passo, à boca
Na floresta, o homem verde floresce
É a resposta às tuas preces que vem vindo
mantém sã tua mente louca
Não é primavera mas desflora, cresce


Hirto, alerta e constante...
assim diz o rio da rocha cortante
mas, pelos olhos do tempo, num instante
se desvanece o efémero errante

domingo, 14 de outubro de 2012

Canto II

Canto dos homens perdidos

que louvam deuses esquecidos
caminham, alienados, algemados
que se entregam, vendidos,
de seus sonhos destroçados
Canto dos bêbados e dos vadios
dos loucos e dos menos sadios
em holocausto, imersos na engrenagem
vivem, afogados, à margem.
por seus irmãos afastados.
Desta feita não canto do ribeiro
que canta pela serra
da cabra, da águia e do luar
que palmilham a terra
Canto da loucura do dinheiro
que consome o mundo inteiro
que alimenta a guerra,
cujo intento é explorar.
Canto dos sonhos que o Homem,
luminoso quando busca a perfeição,
encontra em noites de contemplação
uma sociedade que honre a Humanidade
uma Humanidade que proteja o seu meio
A vida encarada com simplicidade
de quem a procura no seio
da sabedoria, da solidariedade,
tão rara pelas ruas da cidade.
E que apreenda, essa necessidade
de louvar e defender a Liberdade.
Canto dos homens que se erguem
como o sol, seu ciclo seguem,
lutam pela justiça, pela verdade
onde todos juntos não cedem
pois que lhes pulsa sangue e alma
pois que foram submersos pela calma
e agitam-se por não verem equidade
e gritam por estar em causa a sua identidade
Canto dos sonhos e utopias
de quem sonhou mundo melhor
de quem lavrou e abriu novas vias,
canto dos novos tons, de uma nova cor
onde as mentes não soçobram, vazias,
exauridas por inflingida dor
cheias de tudo aquilo que é nada
donas de uma alma esfarrapada
Canto um mundo sem manias
sem fome, racismo, aleivozias
Canto sem fundamentalismo, mas paz
Canto como quem ama o que faz
como quem se sente repleto de alegrias
que saltitam entre os ramos pendentes
das árvores que falam entrementes
numa línguagem clorofilizada.
Canto essa ária da Natureza
que o Homem, insano, despreza
pois se vai juntando a certeza
que o Homem a destroi com destreza.
Canto da chusma de autómatos balbuciantes
que se afunilam em negro horizonte,
no abismo que se diz fonte
anunciam o fim da fome
da injustiça, da miséria
da dignidade de quem não come
de quem manipula a matéria
Onde estão esses defensores de Direitos?
ou pensam que já estão feitos?
Onde residirem a mentira e a opressão,
os povos sempre resistirão.
Hoje há uma guerra que o mundo assola
e na consciência está a verdadeira mola
A que nos possibilitará um novo mundo
já tanto ansiado, no fundo
fruto dos filósofos e místicos
Canto o povo que olha a vida, desolado
seu fado desempregado
seu valor pisado, sugado,
seus filhos, choram, tísicos
a esperança que arde como vela
editada a vida sem chancela
Canto do fascismo a prequela
E esta nova ditadura, sequela,
Todos os rios vão dar a Bruxelas
E agora é que são elas,
Há um reino que se sonha acordar
todo o planeta conquistar
é o fascismo social
prenhe de ódio visceral.
Sobre a escravatura se esculpe
E esturpa as mentes dos povos seus
Seus são todos os povos, americanos e europeus
Não há Nobel que os desculpe
Arquitectos de um templo corrupto,
pintam ao povo quadro impoluto
E moldam genocídios africanos,
modelos combinados e totalitários
de regime comunista e selvagem capitalista
Ouve-se o petróleo que arde nos canos
ouvem-se coros dos mártires libertários
e esparsa-se a misoginia muçulmana
que apedreja todo o que se desengana
e sacode o jugo da superstição
que se esconde sob o manto da religião.
São os cardeais curvados com o peso do ouro
são os generais que mandam matar o povo
Ideais incendiários financiados com o narcotráfico.
Á noite, no zumbido televisivo,
O Ditador com seu ar seráfico,
anuncia ao povo novo sacrifício
só não se agarra o benefício
Os vampiros andam num bulício...
o argumento repetitivo
incorrecto e faccioso
nas pausas pensadas o arvoar do gozo
O povo finge que dorme, finge que vivo,
carrega às costas o lifesyle dos patrões
Como no tempo dos barões
patrocina o seu tempo ocioso.
Canto do Homem que se consome
e se derrete em toneladas de lixo
criado para ser um bicho
enquanto os senhores de renome
Ambivalentes criticam quem faz a fome
e, depois, em faustosos gabinetes
à mesa de um finíssimo restaurante
afastam os famintos com cacetetes
os poositores com gás lacrimogéneo
Não está assim tão distante
Esse tempo, cavalgante
em que o trono estará vazio
e o rico, já sem pio,
acorre à vida com igualdade
e o povo, liberto do sustento alheio
se concentra, neste mundo cheio
em combater a desigualdade
no campo e na cidade
defender a Liberdade
e viver, no mundo, em harmonia
curar o planeta dos males que padecia
curar a mente que se esvai do homem
Canto o dever de focalizar o Bem.







sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Re Ap€urto

Um orçamento de guerra
espalha fome pela terra.
Castiga quem trabalha,
essa canalha.
Doente, desempregado, reformado,
também podes ser roubado.
Só ao rico,
ninguém lhe fecha o bico.

Estás agora a ver a verdade?
roubam e vendem-te a liberdade.
por detrás da democracia,
outro fascismo se escondia.

Cortar na despesa?
Agora não, que a tenho tesa.
Vamos antes à receita,
essa mama que nos aleita.

Ano após ano se repete,
andares algemado, de barrete,
vota, vota, em quem promete,
ouvir-te à ponta do cacetete.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Canto I

Canto de meu Amor profundo


Que clama de meu interior

E se expande no céu, semeando côr

Pois foi o meu Amor que criou o Mundo



Não ouves, tu também, esse clamor

Que se ergue do húmus fecundo

que arde com todo o seu fulgor

O Tempo inteiro, segundo a secundo?



Assumo a Terra que em salto é montanha

Recordo o solo do vale, a extensão plana

Sou a chuva que a terra apanha

o calor que o chão emana



Revolta e oxigenada, leve e ufana,

sinto a terra que o lavrador amanha

não se abandona ao vento colheita insana

pois conquanto o lavrador a terra detenha



Queria pintar, cantar, dançar,

a sabedoria do universo esculpir

pois o amor que m'obriga a este amar

esconde-se na origem e no caminho para o porvir



Quantas epifanias tive que reprimir

Me foram semeando no caminho de meu lar

Na imensidão que cancelei exprimir

sobrou-me a ideia que tive de calar



É esse o amor porque luto e busco

so raiar do dia ao lusco fusco

e à noite consciencializo até despertar

Para no dia seguinte recomeçar



Esse amor é minha concha, fôra eu molusco

São as pegadas que teimo em largar

É o trilho no qual me propus caminhar

no qual tropeço e me lanço, brusco



E quando me perguntam de meu amor

porque me perco, só, no escuro

por vezes em angustiado estertor

são meus pesadelos que esconjuro



Alvo, ao peito, esse amor trago,

candeia interior cuja luz me guia

calor, conforto, mar, rio, lago.

a caverna matricial que se alumia



Meu amor posto no alvo que atingia,

que pulsando me vai mostrando a via

e, que me afastando me encontro aziago

desembocando no mundo tão complexo como vago.



E questionam: «mas que amor é esse?»

que te traz preso, contudo, liberto

porque choras, se tudo te pertence?

- É como se o livro da Vida eu lesse

Como se tudo me aparecesse limpo e aberto

como acção da verdade, que tudo vence



Por meu amor, ganho e perdido em guerra

atravesso oceanos na noite pejada de sonho

suspiro, quando percorro toda a Terra

pois é nesse amor que meu sonho ponho



E é sonhá-lo como quem chora, como quem berra

aos quatro ventos a razão de seu sentir

revê-lo certo que, decerto, também erra

choro quando por vezes me vês sorrir.



E ver-me arrancado essa parte de mim

intrínseca à apreensão da Realidade

durante anos afastado de seu fim

negada que me foi a sua amabilidade



Como não almejar sua presença, assim

Como não me rever na sua identidade?

Acaso não floresço como jasmim?

Reencontro-te passeando pelo campo ou na cidade



O meu amor é alcançar eese píncaro, o Belo

É ter arte para com arte amar a arte

Altura será de tosquiar meu velo

e doar de minha viagem como quem reparte



Meu amor, não quero tê-lo, quero sê-lo

quero todo, não me contenta apenas parte

é meu amor que derrete das calotas, o gelo

a água doce que, fresca, quero dar-te



Procurei pelo cosmos o que me era interno

Como não admitir, sendo o mais correcto,

criamos nós o nosso próprio Inferno

conquanto não seguimos nosso repto



É como buscar calor saindo à neve, no Inverno

abandonando a rubra lareira, o aconchego

como se, vendo, fosse cego

esperando que o frio opressor seja terno



Canto meu amor desolado

que me tenho quedado afastado

Canto igualmente reclamá-lo

reconquistá-lo, recomeçá-lo

Canto contando que mesmo tremendo,

meu caminho não vendo.

Que não me rendo

só a tua voz atendo.



Este amor, persegui-o por páginas por escrever

nos finos pontos de suaves fibras têxteis

pesqei-o no oceano, para o lado do poente

busquei-o nos olhos de toda a gente

no som, no tom, de instrumentos sensíveis

nas telas dos mestres que me não viram nascer



Seu cerne explorei, múltiplas matérias

no barro que se molda com amor e dedos

no metal forjado e recozido, suas asas oxidadas

nas composições musicais mais diversificadas

nas plantas e animais, busquei-o na origem dos medos

entrevi-o medindo distâncias entre estrelas e bactérias



Na terna macia madeira cujo formão impede fender

no toque da pedra , minerais indescritíveis

nas gemas virgens reflexos das sinapses na mente

nas taias migratórias que se alteram milimetricamente

nos momentos regados de belezas inimagináveis

nos saltimbancos fotões do alvorecer



Deste amor, confesso, não faço férias

a ele são alheios todos os degredos

submetem-se a ele todas as coisas inventadas

as aves compõe-lhe árias e, das copas, ofertadas

substituem o assobio das folhas e segredos

encontro-o em frases idiotas e acções sérias



Sei-o vivo junto a mim, esse amor

não sabes já de seu nome?

Não o vês ao acordar?

Não o sentes quando adormeces sem pensar?

Este amor tudo consome

E ele é a semente oculta intrínseca do louvor.



Essa a musa que dos confins do cosmos me fita

ressoando como corda de guitarra

minha essência como um espelho

esse amor me guia de criança a velho

canto-o como ave e não cigarra

amor fecundo de beleza infinita

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nução de Sem surra.



Em assembleias magistralmente regadas,
utopias descentradas na condição humana
em gráficos coloridos e fatais,
vão sendo habilmente escamoteadas
numa manipulação insana,
driblando as mentes banais.

Planificações de lunáticos...
À solta pelo livre especular.
Uivam, à noite fria,
enquanto o sangue flui.
São, de facto, fanáticos,
e as consciências bascula,
mantendo a razia,
enquanto a sociedade rui.

Dias repetem-se uniformes.
Há um hálito a hábito no ar.
E rosnam e vociferam, incendiados.
Nomes de quem nunca existiu
fazem fila para morrer.
São nuvens informes
arrastando-se no seu ,penar
e mostram-se indignados
quando não soltam um pio.
Perdidos em sobreviver.

As explicações soçobram, ignoradas
após catalogadas.
Pessoas são sombras difusas
de almas que permanecem confusas.
Há sorteios conhecidos de estratégias determinadas
que tão bem conheces e não acusas.

Imagens nunca vistas, caminhos a percorrer...
Quando certas ideias absurdas são postas em causa?
Medidas de pacotes indefinidos e revistos em baixa.
Há um véu de esquecimento incompleto,
que inquieta no olhar e frio, não desmente

Afinal, para que te serve viver?
Crês-te manter a vida em pausa?
É o tempo em que a nossa geração encaixa.
Criados num mundo de transformações repleto,
não podemos seguir quem nos trouxe a esta Frente.

Feiticeiros inacabados fazem malabarismos
Compreendemos mal o que não explicamos.
Previsões que se querem, não certezas que se têm.
Cobram-nos dividendos sobre a expansão do universo
Oferecendo o vazio e o nada servindo,
Elevado à raíz quadrada do infinito.

Teremos de ultrapassar falsos determinismos,
reinvidicar a voz com que clamamos.
Pagaremos dívidas que de nós não advêm?
Reclamamos o futuro escrito em verso.
Levantar uma muralha à invasão que vem vindo.
Ouvem-se já as trombetas do mito.




terça-feira, 2 de outubro de 2012

Topografo




Procuro a realidade insondável
Oculta por forças e essências
Versar sua silhueta intangível
Inclassificável sem reticências
Busco e esquadrinho horizontes
Revejo e revisto, reencontro, recrio, registo
Em finas folhas pautadas e numeradas
Vectores ecoados no mapa, assinalo.
Redijo, no cerne dessas mesmas linhas
Sonatas, tocatas e sublimes sinfonias
Mil melodias ensaio entre um beijo
Pela estrada de florescentes telefonias
Será esta ânsia inolvidável?
O acumular de múltiplas demências?
No eco absorvo o tom da voz invisível
E, contudo, colecciono rotundas evidências
Sobrevoei, mergulhando em nascentes e doces fontes
Calcorreei por serras do imprevisto
Ondulei entre espumas alegres e salgadas
Muito já disse. Por agora, calo…
 Já teci mitos vários, angústias minhas
Bebi de todo o néctar e confessei mil aleivosias
E agora, passado tudo, ainda ensejo
Encontrar a raíz e a foz das minhas alegrias.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Saudável Imprecação Reentrada Livresca e Sardanisca, com Patanisca e Arroz de Feijão au chef

Ó José António, bem sei que os milagres, às vezes, acontecem, mas não és propriamente S Francisco de Assis, sábio homem que de bom grado trocava a companhia «humana» pela da Natureza. Afastava-se assim, de fatwas e mediocridades várias, apenas de lamentar é o corte de cabelo... Serão modas, serão rosas...


Não nos tragas mais cinquenta sombras, que sombrias andam as mentes de quem, auferindo muito e nada fazendo, nos ordena que trabalhemos mais e ganhemos menos. Eu grito Basta! Tu dizes «Amarelo», códigos contributivos àparte,enquanto não te portares como um espanhol, hás-de ser sempre um Oriente distante, nunca um Homem.

Terás, como assumido, de ser O Estratega (seja o escravo que a sua empresa sempre quis)... Líder? Para líder temos o livro indicado para tirar o curso na maior (das libidinosidades). Ou como se conspurcam séculos de conhecimento, trocados por umas meias sujas no balneário, umas sessões de bullying e supremacia social.

Depois do Método Relvas, outro aldrabão conta como é possível ser-se prof. universitário cantando e buendo pelas ruas com a Tuna. Marrar é para bois, há que saber viver a vida e fazer conhecimentos ultrajantes, fazendo-se valer mais da capacidade emborcativa que da intelectual.

Tal não é de somenos importância, não há nada como denegrir uma instituição como a do Ensino Superior. Asnos doutos são os outros, estes são tão somenos bestas patrocinadas em bitaites, com tiques fascizóides e ténue carácter, frutos podres de podres árvores e caldeiras furadas...

Ai é até ao fim? Se Kershhaw, tem de pôr a notinha na fisga... que Maria Barroso, mais sua Fundação da chazada, terá igualmente direito a legar-nos o seu olhar sobre a vida (que há quem só a tenha sob), à custa do Estado, Mulheres Livres recusam prémios, não vivem de expedientes.

Não Odiarei, é a Grande Mudança e, se, de Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos, valha-nos as memórias... que saudades da Guerra Civil de Espanha. catalunha livre, País Basco Vasco, Galiza de novo nossa, Andaluzia libertária e comunal, esse é o destino de Espanha, reino artificial e adulterado

Em 1493 eu não estava cá, Já em 2013, logo se verá. São Tempos de Transição, estes,mais um Inverno no Mundo, assistem-se à Queda de Gigantes, geralmente, em cima dos dedos dos pés das formigas anões... Será? A ver, de 15 em 15 dias, a cotação bolsista acompanhando a indignação expressa e manifesta.

Pensar depressa e devagar, ou a arritmia mental, ou será diarreia moral, a que, fundamentalistas reservam a blasfemos, tão cientes de suas iluminadas tradições trogloditas em contínuo desafio à Humanidade. Apedrejamentos e lapidações deixados a um flanco, logo surgem Fundações extremistas que oferecem pela vida de uma boca, milhões...

O Vento dos outros é sempre mais brisa que tornados, no entanto, tornando ao início das coisas, vento é vento e os outros serão sempre os outros. Esses, que estão em todo o lado e tanto são eles como para outros, acabaremos por ser também nós vistos de costas. arrendamentos que se alteram, leis do trabalho que se desfazem.

Como diz o povo: No poupar é que está o ganho... de poupança fala de cheia pança, o lambão que o produto do meu trabalho comeu. Poupança cansa quem se afiança só se fôr em França, pois que em Portugal, poupar só é real, quando houver aumento salarial. E consumo há o que pode haver, mas ainda os há, que ficam a dever... pagamos eu, pago nós.

Agora, esta escatologia da reentrada literária, antes de almoço, serve como aperitivo, que o digestivo, esse fugidio putativo, é estar no activo... o que é cansativo, minhas horas de trabalho crivo, não sou assim, sou criativo. Não sou passivo, não sou activo... o cú é meu e não o divido.

Poupança.... bah! Trabalha-se um mês inteiro, mas não chega o dinheiro, e ao ano... miséria e carnificina, até um pedinte, na escada da igreja, tem maiores emolumentos que eu, entre lamentose tormentos, deixo meus proventos na mão do ladrão, perdão, cabrão, os meus cumprimentos, patrão.

E gasta-se a vida em tamanho turbilhão, que os sapientes animais não, não se perdem em si, não se encontram nos outros, não pedem mais nem exigem impossíveis, apenas vivem naturalmente, a pessoa nunca, a pessoa mente, e afastada da verdade vai, morrente, despejar a vida em vinho quente, dormente e demente, até que a morte se apresente.

Os primos da América não são a voz da diferença, e a amante do reizinho deu um peidinho, grandes vidas breves e tantos medíocres longevos, essa é a realidade, como se a ruindade emprestasse longevidade, acrescentando à luxúria sociopata anos de vida em qualidade, em deterimento dos restantes.

Já calculaste quanto é que precisas de trabalhar para mereceres o que recebes (para mim, um dia basta, meio dia, só de lucro). Os restantes espaços temporais de 8 em 8 dispostos vão directinhos para um grande buraco, provavelmente sem fundo, porque nunca mais os vejo, e se despedem, sem ao menos um beijo.

Glória ao Pai e à dieta dos 31 dias (eu meto-me cá em cada 31...), afinal... Qual é o Banco que manda aqui? Resgatados, resgatados... não vejo resgate algum, os ladrões continuam a roubar com afinco e sem travão algum! Haja um, que inadvertidamente morra, logo a hidra coloca dois ou três em seu lugar, cá estamos nós para os sustentar.

O Homem em busca de um sentido não se pode quedar sentado. Desperta e levanta-se... possa o Homem deixar o Homem  acordar e reclamar o que lhe incumbem as energias cósmicas, cantando lá do alto, sobre o campo de concentração electromagnético que nos mantém cativos neste Dauchau oval a que chamamos Terra, embora seja mais Água ou Fogo, que aquela, mas também se pode chamar prisão, que é onde poucos escravizam muitos, não reconhecendo os seus próximos como seu irmão.