De pé na clareira pelos Deuses criada
No centro do Bosque Sagrado
Por entre anciães carvalhos, loureiros e bétulas
A feiticeira, no cerne do círculo desenhado
No solo musgoso, cravadas as Rochas Erguidas
Iluminadas pela fogueira por magia alimentada.
Alinham-se os Astros na noite fria
Ela percorre as Linhas da Terra
No Labirinto, a Espiral do Tempo.
Nua, pisa leve o solo fértil da serra
E solta à noite um apelo… lento
Chama a Lua que das montanhas já surgia.
Abre as asas longas de sábia coruja
Corre os verdes montes, célere, cerva de prata
É o Sangue da Terra a Alma Água das Fontes
O Fio da Vida que entretece, ata e desata
Construtora intemporal de todas as pontes
Demanda até que a resposta, na boca lhe surja.
Vê no reflexo escuro do céu estrelado
A morte surda dos Deuses Antigos
A sua metamorfose psicopômpica
E dança por uma última vez com os Seres Amigos
E esconde no coração da floresta recôndita
Os segredos que se escondem do Passado
Como paira meloviosa a voz da Sibila
Oracular na suave e lunar clareira
Viajando no Cosmos até se extinguir
Até à fronteira última, derradeira
Para lá de todo o nebuloso porvir
Até que do transe se arranca e seu corpo vacila
A cerimónia se encerra nas brasas refulgentes
E alta vai a Lua, solta e selvagem no firmamento.
No Altar-Mor da Natureza, a Feiticeira deita seu corpo desnudo
Sacerdotisa vaticinadora, atenta ao mais leve movimento
Desvenda o Futuro incognoscível do Mundo
E adormece ao som das estrelas distantes
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