Sobre o Forte se ergue o vento
Arremete o mar em suas muralhas
Observa o horizonte, místico e dúbio,
Esculpido em espuma e nuvem
Acompanhando uma linha imaginária
Curvilínea e desvanecida na distância
Que o tempo embala, maré a maré.
Nas rochas que espreitam por entre a ondulação
Escorre o musgo intenso e verde
E na alva areia, de tempos a tempos ensopada
Por entre bolhas, construções efémeras
Seixos desenham parábolas e alegorias
Riscadas em sua superfície texturada e lisa.
Seu destino arrolado de simples forma
Abandonando raros cristais na rebentação
Sobrevoando a paisagem
Rotunda a branca gaivota
Malhada de cinzentas pintas
De bico dourado alongado.
Seu perfil acaricia o azul celeste
E em suas asas abertas canta
Transportando, pingando, imprevidente,
o íctio ser que só, representa
a abundância matricial do oceano
lutando contra a terra que o delimita.
No Forte aguardo, expectante
Afunda-se o sol fervente no frio oceano
Uno baptizado diversas vezes
De acordo com os olhos humanos que o observam
Dele tiram sustento
Energia e Harmonia.
Sei que retornarei àquela praia
Já pó desfeito e sílicas partículas
Para que o Oceano me reclame
E me abandone numa qualquer costa desconhecida
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