sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Móbil



Deixai-me provar, doçura
de lábios teus,
os lentos ardores da madrugada
que mi alma alenta, procura
nos dias a que chamo meus.

Melífluo, o sabor de te ter abraçada...
Por momentos, almas se tocaram
onde cegos corpos apenas ansiaram
contactos intentados na esperança

Temos a vera certeza de reservada
a oportunidade cultivada
pela verve que não se cansa.

Os pensamentos percorrem caminhos,
tortuosos afloramentos mentais.
A fronteira que se rasga por vontade,
escalada que foi a colina da saudade.

Soltos sonhos de contemplações sensuais
aguardamos, tecedores de carinhos.

No perfume acolhedor de teus passos,
busco, Sileno, mi ninfa que corre,
se esconde nas sombras da montanha.
Persigo-a por semeados laços.

E o fragor que em meu peito não morre,
tem em ti, senhora d'heróica campanha.

Colam-se lábios, línguas, corpos,
abandonados na luxúria dos desejos,
nus de medos, remorsos, temores.

Dançando na maré plena, febril cadência
erótica melodia preenche os sentidos.
Impossíveis de calar, cantam gemidos,
artes que os milénios sancionam nos ensejos
celebrados por amantes, espasmos e tremores
exaustivamente dissecados pela douta ciência.

Mas quando acordar o sol,
de sonhos alimentados pela paixão,
e vier lamber-nos os olhos em êxtase,
encontrará a péola mais apetecida
no corolário de nosso abraço em anzol.

E, raiando em louvor, lembre-se,
deixar mais um pouco a persiana descida.





Sem comentários:

Enviar um comentário