Hoje fui ao médico e descobri que estava vivo. Não me causou grande espanto, embora corressem boatos infundados na maioria das cadeias televisivas anunciando o meu óbito. Nada mais impreciso, pois, vai-se a ver, a doutora atestou que estou vivo, de boa saúde e recomenda-se.
Come? Como. Bebe? Sou um sóbrio exemplar, não obstante passar por ébrio. Fuma? Também. Ok... deixe lá vê-lo a respirar...Também não apresenta nada podre à primeira vista. Bom... Por falar em vista, vê bem? Antes não visse... quando à terra lhe for dada vez de comer estes olhinhos, ainda lhe dá uma congestão.
Curiosamente, todos os dias, pela manhã, ao passar as mãos calejadas pela cara, para mim digo e reflicto «Já vi malta empalada com melhor aspecto», mas, auguro, pelo menos assim, nem os corvos me vem debicar nos olhos e vou mantendo certos facínoras e outros necrófagos afastados pelo menos durante um punhado de moscas.
E, à noite, observo de forma momentânea e em zooms diversos, as ruínas que deito à cama, na esperança de colher, pela manhã, algo mais que outro lunático dia a despontar e eu sem paciência nenhuma para me enterrar em trivialidades e futilidades de valor maior que uma casca de laranja cristalizada.
- Paciência!- Aventei... Podia receitar-me uns comprimidozitos de paciência, e se vier em solução xaroposa, tanto melhor, que bem escorrega. Caso houver em sabores prefiro cereja ou outro fruto de cor escarlate, pois de resto, atacam-se-me uns fluidos flatulantes e, nem paciência nem nada, apenas me faz bem às dores de barriga, que nessa altura aproveitam e surgem às janelas.
«Paciência nem em comprimidos, nem em xarope. Mas há em vinho tinto, de garrafão de cartão, quer? Vem com pipozinho. É assim,tipo genérico.»
Genericamente falando, não há pachorra.
E assim, vivo, me mandou à vidinha, e eu fui...
Antes dar uma volta ao bilhar grande, pois o pequeno já eu conheço.
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