Isso querias tu... dizia, meio assobiando entredentes, enquanto mordiscava uma palhinha colhida na beira do caminho. Pois era mesmo isso, o que mais faltava e, pouco a pouco, haveria eu de te dar de comer à boquinha e , avental posto lamber-te a cozinha, não?...
Pontos primeiros, dabato-me com o apresentado: se era para sugerir sugestões, não sugiria, pois que não era obrigatório,era apenas uma sugestão, sugerir, logo, não há volta a dar entre significados tão díspares, ou então era obrigatório,logo, para cumprir, como lei, indiscriminadamente e sob qualquer pena. Ena! Tenho, de facto, muita pena, mas sugiro que a sugestão sugerida seja susceptível de se sugerir que nem por isso.
Se quisessem as minhas ideias, bom, deixar-me-iam ter ficado lá, por onde estava, ao leme de um navio que tinha construído, tabuinha a tabuinha, com a ciêcia que tinha, pois que a mesma não me foi tansmitida nem oferecida, mais, que a distância era curta e agora nem por isso, e para tal, isso de ir indo e vir vindo, não mo pagam, e eu estava a desempenhar melhor trabalho que muito boa gente que por salões do Castelo passa e se repassa, aí, sim, minhas ideias teriam servido para qualquer coisa, teriam eco e forma, na prancha da manageira insolente, nem que fosse para bradar Cala-te essa boca, assente na plena matéria associada à ideia imaterial que alimento, no meu cultiva-te, constroi-te, transforma-te, trindade na qual nasci e cresci, interiormente e em termos humanos, formando em mim a consciência que afirmo, sem hesitar, custe a quem (a mim) custar.
Pontos segundos, não fazendo parte do Departamento de Marketeiros e Intrujice, assim como não auferindo remuneração de Criativo Mor dos Castelos no Ar,de Nuvens e Vento, remeto tal assunto para quem de direito, ou seja, para os senhores que da Cúpula se assentam, sobre as ameias, e tomam o seu piqueno almoço, de meia de leite e sande de manteiga em punho, desdenhando de quem sua para lhes conferir o salariozeco bem chorudo e bónus e festinhas disto e daquilo, eventos de meia leca e estoirar espumantes só porque todo ol dinheiro é bem empregue, nos salvem os adeuses de os deperdiçarmos com quem põe a máquina a trabalhar, até sozinho fiz melhor, semeando pequenos incendiários que ficaram na história do espaço devido, no espaço alugado, no espaço partilhado, de guitarra de intervenção e tudo, eu, não sendo pago para ter ideias e, como tal, necessitando de um espólio e ideário não alcançável por quem se afunda nas poltronas dos cargos obtidos sabe Deus como, ou sem o seu conhecimento,triplicando sobre o valor auferido pelo suador, catalizador e intermediário, que empresta seus ombros à causa, e nos braços velozes, e nas pernas, pilares que materializam as ideias, plasmando-as na realidade abrangente e envolvente, lá, onde deixei sangue, suor e lágrimas, deposto por quem não tem visão ou coração, apenas uma massa amorfa e nazi, que o consome como pira funerária, arrastando a vida e a alegria num turbilhão de maledicência e mesqinhez de sapateiro fajuto.
Considerando que gosto muito de quando me exclamam: Estamos todos no mesmo barco.»
Pois, é certo, que quando estou a remar, não os vejo por lá.
Ou «enche peito, que é multinacional!», ao qual respondo, não me enche o bolso, não me aquece o coração, rouba-me o esforço e o trabalho e deixa caír, cagão, uma esmola suja e pelintra, que mal dá para forrar o estômago. O fruto para o accionista, tudo o resto é custo. Em pontapés na nalga, não mais, obrigado,pois que não alimenta nem estimula, que não conta para efeitos de reforma, que não se transforma na vida que quero oferecer aos meus mais meus, haja cú que pontapés não faltam, e mesmo não andando sentado, custa levá-los, de graça, ainda por cima, lembrando a antiga história do Saco das Mentiras, não há coelho que não regresse aos braços de seu pastor.
Trabalho mínimo para salário mínimo
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