quinta-feira, 19 de maio de 2011

Feira do Livro Anarquista

Nos próximos dias ir-se-à realizar uma Feira do Livro. Anarquista.
Ora um acontecimento desta importância e envergadura não poderia ser deixado passar em branco, mais não fosse, porque um livro anarquista, nos dias de hoje é quase raro de se ver.
Há elementos que convém clarificar quando falamos de livros anarquistas.
O primeiro é este: Eles não querem ser lidos. Nem compreendidos, esperam também que pouco se falem deles, pois poderiam ser alvo de chacota, isto, porque se venderiam assim, como algo unicamente comercial, não poderão afirmar ser a sua natureza essencialmente alternativa e não lucrativa. Depois também não apreciam ser compreendidos e têm medo de serem copiados, nos dias de hoje, onde tudo se encontra patenteado, não querem ser considerados cópias de outros manifestos deliberadamente escritos para louvar qualquer ideologia. São simples, são como são e protegem a sua identidade e idoneidade assim mesmo. Como se quem os lesse, pudesse roubar partes de si, e serem os seus pensamentos aplicados a algo que não estava no azimute inicial serem. Nós, os leitores, bem os compreendemos, pois roubamos um pouco de tudo o que lemos e construímos, a posteriori, castelos de recortes e memórias avulsas. Imersos na miragem literária que condiciona o mundo da edição hoje, o livro anarquista continua a ser irreverente e veste-se de cores garridas. Explosivo na sua forma de analisar as questões da actualidade, converte-se em suave e doce pranto, enquanto vê a miserável civilização capitalista ocupar o mundo a seu belo prazer, vencedora de uma guerra em que todos nós perdemos, e, assistindo a tudo, uma humanidade nua já de vontade de Liberdade, de amor próprio ou senso comum, embalada na canção embalada do consumo e das vantagem orgíacas da satisfação do desejo imediato.
Sim, pois expostos à análise post scriptum sabem que o cerne do ideário defendido, sem a sua valiosa cooperação nos termos das causas primevas da sua demonstração, poderão afastar-se da sua identidade, e qual náufragos, morrer na praia duma costa desértica e infeliz.
Assim, boa oportunidade para encontrar autores anarquistas, além de Saramago e Antunes, Rancière, Thoreau, que na sua própria escrita, relativizam a importância gramatical no universo literário, assim como a própria noção de sentido e realidade se metamorfoseia todos os dias, à esquina de um qualquer pôr do sol.
Numa Feira do Livro Anarquista, os livros, ao contrário de estarem caoticamente distribuídos, ajuntam-se em comunas e barricadas, numa ordem apenas sua, e que o visitante poderá saborear enquanto passa com o pensamento lateral aceso, por entre os expositores.
Numa sociedade dietética (ou seja, que quer emagrecer a ética à força, ou ao murro, como o Tallon) se houverem indivíduos que queiram fazer dieta à sociedade, à bomba ou não, tal faz parte das idiossincrasias anatematizantes, emprestando à sociedade a percentagem niilista da qual brotará uma sociedade mais justa e equalitária. A equidade não é sermos iguais aos cavalos, é haver justiça na socialização humana.
Eu sempre gostei de transparências, sim. Na vida política e profissional, na vida pública e económica, nas relações entre nações e entre indivíduos, mas tal não suplanta a minha admiração pelas transparências na indumentária feminina. Gosto muito, também, de Dálias de 1m e 80, mas são mais raras e geralmente vêm acompanhadas.
Outros livros anarquistas são «O Livro Inclinado», ou como todos nós tendemos um pouco para a Libertária realidade. Livro com furo, relembrando o profeta Laden, ou os livros com cheiro a salada de frutas, de índole notoriamente burguesa e apologista da cacofonia sensorial reinante.
Falta a estes o livro que se deixava comer ao almoço, com sabores diversificados e de boa digestão, ou os livros proibidos (todas as épocas têm os seus), determinantes de cada sociedade, os quais se identificam por nunca aparecerem à noite, mesmo quando os convidamos a beber um copo de groselha.
Assim sendo, e porque denoto uma curiosidade ululante em reencontrar alguns pedaços da minha infância, vou continuar procurando o famoso livro «Fernando Pessoa contra o Homem Aranha», oásis de surrealismo lisboeta do séc. XX, e mais difícil de encontrar que um sóbrio às 2 da manhã no Bairro Alto.
Realiza-se no Largo da Severa, pertinho da esquadra do Socorro, para o caso dos organizadores perderm o transporte, poderem ficar na residencial nomeada.

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