domingo, 13 de maio de 2012
Está calor aqui
Torridos momentos, memórias pluviosas. Na brisa flutua trinado, flauta e rouxinol, abraça o dedilhado que o rio... com a fresca natureza que da fonte evolve nos não conhece mas anseia em sua plácida margem, em dias em que até os poros suspiram, nos deitar os olhos e presentear com seu correr suave e translúcido. Um dia assim, o céu transposto em nebulosas densas e indefinidas, arrastando-se como mamíferos da leveza de sonhos em pradaria opala. A brisa, quando se ergue, em desafio imberbe à estanque e abafada realidade, cedo se apaga, se perde por singela, adormece na sesta que o vento dá, antes da trovoada. reflecte-se esta cinzentude opressiva no rio da urbe, carregada e embora camuflada na cor de seus telhados e nas matizes de sua romantica paleta, esparsa um calor asfáltico, pré absorvido, rodeia-a numa cintura fuliginosa e ferrosa que a sufoca lentamente, enquanto se perde, junto ao cais em que a memória enfunou velas e levou a liberdade e o sonho, deixando apenas, a inerte saudade, copiosamente chorando, clamando pelo regresso impossível de coisas mortas, ao invés de chamar a si a simbologia e a identidade das impressões que a História nos deixa entrever, no seu avançar contínuo e avassalador, para o qual o nosso curto sopro tem de almejar a preencher...
Não aqui, as copas lambendo a doce correndo, desenhando na corrente sinfonias onduleantes que traçam linhas de sonho e cor. Não aqui, que o perfume entronizado com que as flores nos brindam, secretamente ocultas dentro de suas cores, nos seus corpos delicados e olvidados, alquimicamente destilam o desejo que sentem pela vida e partilham-no com a certeza orgíaca que a Primavera tudo perdoa ao sentimento puro, e entam dançam, suaves eflúvios que nos transportam aos jardins paradisíacos, onde a vida era eterna e os anjos tocavam, em banda sonora de orquesta completa, hinos de louvour à id entidade que em cálculos astronómicos de pitada em pitada nos vai antendo a existência... Não aqui, que o silêncio impera e só se quebra com um esvoaçar mais nervoso de um pato, da precussão que a andorinha provoca ao locomover-se, o silêncio aqui mora, na clareira que sente as cócegas que o sol faz no seu solo orvalhado, quando o aquece e fumegante, empresta aquele odor ascensionado, do barro molhado que encontra a luz no sopro cálido que o sol lhe oferece. Não aqui, não ouves, apenas chilreios intrincados, perfumes interseccionados, a luz avançando tem esmeraldas transparências, rasgando a túnica folhosa que cobre de púdica intenção o solo fértil e expectante.
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