Nada Visível e transparente, tacteável e imaterial. Nulo e completo, real e irreal…Decerto que vivo. Leva-nos, Sophia, ao trilho da certa e ansiada Evolução Através da tua Suprema doação...A percorrer entrelinhas o sonho pela pena...E, decerto, a melhor pessoa para se estar enquanto se assiste ao Apocalipse. Modéstia à parte, e com dois cubos de gelo.
Subtrai-se-me ao psicadelismo inerente a cor esbatida do profuso degradé acentuadamente irreverente, enquanto surrealizo dadaísticamente o maneirismo renascentista, precipitadamente rococó, através de tufos resplandecentes de orvalho as primeiras borrifadelas solares e sândalo, no aroma indelicado que se desprende da mente em acelerada decomposição, da frutífera animosidade iludida, metamorfoseada em suave cadencia outonal, respirando a névoa brilhante que e portal de sonhos, entre mundos esbatido em línguas conquistadoras, de idiossincracias afins, avolumando abotoadamente o inverso sentido do quadrado omitido e nas sombras desenhado, por onde trespassa a alma no som e o plasma no espaço sideral, movendo-se, em bolha protectora e maternal, ionicamente revertendo em si aquilo que transporta.
Concluo, em abundância, no cerne aprazível das manhas em que as ideias cantam como os pardais, cotovias, enquanto pica-paus martelam percussões alternadas, que o que o sistema límbico é em si, superior ao complexo reptiliano, e este, não decai em desuso, antes pelo contrario, afirma-se quotidianamente, selvagem e errático, como Pão nosso em cada dia, não sendo alheio a isso o facto consumado de ser realmente inferior e incansavelmente alimentado pelos actos e desvarios humanos
Retirar o equídeo da pluviosidade? Não agora, que é de tenra idade. Tempo terá para, no conforto relativo, na cavalariça que servirá de tecto, pensar nas colinas galopadas na brida e nos riachos frescos abertos na montanha. Por onde trota agora a seu bel-prazer...E nas memórias que de hoje leva para as pastagens do Grande Espírito, contará mais esta chuva muda sobre o lombo, que as noites deitado em frondosa e dourada palha.
Solta o corvo rubro no umbral negro da Fonte. Afronta os Deuses extraviados na hora do receio. Retira, arguto, do sangue seco, o pó do tempo. Tensão nas cordas afuniladas do violino. No vinho, a uva sangrada é fermentada em segredo...Sagrada é a vida e quem a toma para si e aceita seu dom. Domá-la é necessário, vivê-la é, enfim, o júbilo. Justo é o hino que eleva o povo junto aos Deuses. Desses rezam as memórias nos mitos empoeirados, Emparelhados sabiamente, compilados nas torres cilíndricas do Conhecimento. Contam as palavras, as sílabas em tons musicais. Meloviosa a harpa, a flauta, o violino e piano em uníssono. Unidos sinfonicamente na dureza das ruas desertas...Despertas entre os esparsos campos floridos e pensados, Pautados por compassos e meias colcheias definidos na aurora dos dias, Divas cantam e dançam em louvor à Natureza. A nata da Criação, assim composta, na tela rabiscada e perfeita, Preconizando o crepúsculo disperso na noite que o abarca, Atracando o dia no horizonte frio e negro, longínquo. Como longe as estrelas brilham, gélidas no céu nocturno, Soturno o fumo que se espalha e desvanece nos canteiros. Cantei neles honras e glórias e findo agora a vida diagonal Dias de combate, amor, sofreguidão consentida...Sentida foi a vida, agora, pouca, breve e finita. Finda como o dia e a noite sempre acabam. E as estações que em breve se substituem e matam, Açambarcadas pelo destino que inteiros nos engole. Por isso, pela memória dos deuses e dos homens
Solta o corvo rubro no umbral negro da fonte
A alegria suprema e total
De apreciar as ofertas da Natureza
De experimentar os prazeres inauditos
Das clareiras suadas, suavemente recortadas
No arvoredo imenso à beira oceano
Nos secretos recônditos da alma
Navegar pelo oceano que regurgita de vida
Pelos rios velejar, montanhas e vales andarilhar
Voar e cair, livre, liberto de preconceitos
Salutar vivência em suprema sapiência
Uma alegria, harmonia
Cómica, cósmica, cónica
Misto de cólica eólica
De um substrato deveras abstracto
É essencial, sensual e eventual
O acesso viral
Que num floreado de som e poesia
Moderna, ordenha, ordena
À porta da antiga taverna
De balcão tinto, não minto, sucinto
Se entorna, morna.
Gelatinoso como alforreca
Liso como um carapau
A fumar como um cavalo
Desordenado como ouriço que acorda
Desnorteado como uma borboleta
De humor de cão
Cego como uma toupeira
Estúpido que nem um besouro
E cansado… como um burro de carga
Reconhecem?.
Rumo ao que almejo
Por direcções indeterminadas
Avanço e recuo, onde, na maré?
Para o que o Destino me reserva
E calo, dentro, o sentimento
Mas rejubilo na presença
sem a qual, dolorosa ausência
me tortura o pensamento
rompo os laços que me prendem
as correntes que me impedem
que apertam, castram e sufocam
para nascer livre, uma vez mais
para o Universo.
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