Meus amigos, convenhamos que o Capital não necessita de se imiscuír da esfera produtiva, pois que se suja, pois que se perde nos meandros legais e outros centros de custo perfeitamente dispensáveis, como a Segurança Social, a TSU e essas merdas.
Além disso, os escravos utilizados nesse campo produtivo ainda têm aquelas ilusões de Estado de Direito, Democracia, Direitos Humanos e outras aleivosias de Esquerda completamente ultrapassadas e desactualizadas, pois que pouco contribuem para a optimização do lucro.
O capital autoreproduz-se muito bem, tendo em consideração a panóplia de ferramentas financeiras criadas para nos apoiar a acumular excedentes, a lavar dinheiro e a um conjunto de novas demonstrações de engenharia financeira, a que a manipulação de conceitos nos deixa ampla margem de manobra.
Aliás, é démodé, esse desvario do reinvestimento, da inovação e todas essas estratégias de sacar dinheiro aos accionaistas, os verdadeiros donos do capital. O Povo que se foda. Salvem-se os Bancos. A Economia que se lixe. Protejam-se as especulações badalhocas.
Por isso, é de bom tom que o Capitalista que se preze abjure da sua Humanidade, Ética e Empatia e, subjugando todas as existências à acumulação de lucro, que se extinga a Humanidade, essa porca, para que, sobre as cabeças esvaziadas de escravos de consumo, entronizemos Satã como nosso real senhor.
Que morram de fome, então... se viver está acima das suas possibilidades, não vivam! Ai, e morrer está muito caro? Então é porque andaram a morrer acima das vossas possibilidades. A nós, detentores do Capital, só nos interessam os 7, 10, 15, 16% e os juros que conseguirmos alanvancar em cima da vossa produtividade.
E não se queixem que é pouca a produtividade. O patrão é que produz, os trabalhadores são uma chusma de pintos com a boca aberta, sempre a pedir. Recebem uma esmola pelas funções que desempenham e mais nada. Não querem? O que não faltam são desempregados ansiosos por uma dose excessivamente confiante de exploração.
Têm de ser competitivos. Ser mais como os chineses: nascer, viver, reproduzir-se e morrer, tudo nas instalações da fábrica. Ao falecer, serve para reduzir o custo energético, porque um morto é como lenha, já dizia o Eichman, outro alemão dos quatro costados. Temos de empobrecer e ser mais paquistaneses (mas sem plantar ópio)
Nós não compreendemos as polémicas que rodeiam as alterações climáticas, o nosso ar condicionado está bem regulado. Crise energética? Bebam Red Bull, ou Monstros, que são férteis em Taurina, seus cornudos. Vitaminem-se, que a cocaína está cara. Já as Kalashnikovs...
Direitos, só para quem tem dinheiro. Quem não tem dinheiro, não podendo comprar direitos, que tenha deveres. Sim, porque isto de direitos e devers tem que estar distribuído. Direitos para quem aufere, deveres para quem trabalha. Os pedintes? Quais pedintes? Nos nossos condomínios fechados, nem os cães ganem...
Paguem mas é, e depressa, que nós temos que fazer outros investimentos ruinosos, para que possam ser pagos por outra cambada de otários. Na busca incessante do lucro, nada interessa. Homem, Natureza, Sociedade. Tudo aos pés do vil metal e dos seus portadores. Afinal, o feudalismo está de boa saúde.
A todos os coros indignados que se levantam, nós respondemos: «Tou nem aí», como a música da canção popular, e sem limpar armas, fuzilamos as classes Médias e gazeamos as baixas, que é só despesa. São como peças de mecanismos ultrapassados. Reciclam-se, a bem da boa saúde dos Mercados.
Do interior dos nossos carros blindados e acolchoados vertemos o nosso desprezo por essa maralha canalha de trabalhadores e reformados, estudantes, crianbças e deficientes, todos esses ineptos sociais e afirmamos. Ou enfiam-se na toca abjecta que queremos colocá-los, ou imolem-se, que esses vapores não ultrapassam as redes dos nossos campos de golf.
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