Em intervalos de vácuos
densamente indefinidos,
bolsas de universos nascem,
fractalmente se expandem,
em ritmos comprimidos
por dimensões incalculáveis
perseguindo fogos-fátuos.
As galáxias são a estrutura
que sustenta o universo.
Espiralando, esqueleto em elipses estendidas,
rotação que apreende Tempo e Massa.
Os buracos Negros são abertura,
válvula de contacto disperso,
e após suas características esgrimidas
se verá para que estado da matéria se passa.
E há um bailado que as estrelas dançam,
e os planetas e suas nuas luas acompanham,
numa coreografia constelacional,
num lento desfilar largamente intencional.
Como se as galáxias fossem
árvores frondosas que do alto se conhecem,
o universo, bosque, densa floresta,
raízes colonizando os céus que amanhecem.
Com crianças que brinam
com o Tempo, que as detesta,
pois que o não assumiram,
embora já nele baloicem como numa festa.
E a consciência que ecoa em cada universo,
sua suave voz que comanda e decide,
imerso na vibração atómica ressonante,
desde o longínquo e oculto berço,
embalando o destino merecido,
na gravitação em seu elemento constante.
Traçado geometricamente o plano do âmago universal,
calcula-se o valor do factor temporal e seu ângulo.
Traça-se a rota pelos ventos cósmicos, por entre nebulosas,
transversalmente pelos aneis espiralados e anelares.
Sem temor navegando pelo espaço sideral,
funde-se este como novo preâmbulo.
Descobrir, virgens, novas paisagens fantásticas,
como novos nómadas estelares.
Nosso sistema solar é uma célula,
um átomo consciente e vivo,
uma entidade centrada em seu pulsar.
Do cerne, o sol expele matéria e a molda,
pelo tempo fora, numa intenção benévola,
dota cada seu ser extensivo,
com seu tom cromático, seu único brilhar,
e em cada nota individual sua consciência solda.
Somos fruto desta singularidade,
que se espraiou e criou realidade.
Só nós detemos a chave para nos libertarmos
da cedência antiga que adoptámos.
E as representações de cosmovisão,
como estão estáticas, e a tese é dinâmica,
descendo nos cordões quânticos da manifestação,
os quarks, fotões e bosões dão largas à imaginação,
em sonhos os génios da civilização adâmica,
desenham em grãos de areia a sua convicção.
Como relógios cósmicos ticam e tacam,
nós compomos a translação e relativizamos a rotação.
Entoamos cálculos matemáticos como orações aladas,
e por vezes, em supernovas, as estrelas nos captam.
E como é bela a luminosa côr de sua sedução,
de olhos fixos e atónitos, vozes caladas,
deixam soltos os pensamentos para resolverem a equação.
Dos tempos da Terra Plana, do Grande Abismo,
circum-navegados que foram os mares.
Dos modelos que colocavam o universo a rodar à volta da Terra
não estamos ainda suficientemente longe.
Artigos criacionistas explodem a razão,
querem susbstituí-la com a mais desplantada ficção,
como termos de ouvir falar de amor por um monge,
não conhece outro sentimento que não se encerra
a mente e o coração em longínquos espaldares,
onde, secando ao sol helicoidal se derrama em solipsismo.
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