domingo, 14 de outubro de 2012

Canto II

Canto dos homens perdidos

que louvam deuses esquecidos
caminham, alienados, algemados
que se entregam, vendidos,
de seus sonhos destroçados
Canto dos bêbados e dos vadios
dos loucos e dos menos sadios
em holocausto, imersos na engrenagem
vivem, afogados, à margem.
por seus irmãos afastados.
Desta feita não canto do ribeiro
que canta pela serra
da cabra, da águia e do luar
que palmilham a terra
Canto da loucura do dinheiro
que consome o mundo inteiro
que alimenta a guerra,
cujo intento é explorar.
Canto dos sonhos que o Homem,
luminoso quando busca a perfeição,
encontra em noites de contemplação
uma sociedade que honre a Humanidade
uma Humanidade que proteja o seu meio
A vida encarada com simplicidade
de quem a procura no seio
da sabedoria, da solidariedade,
tão rara pelas ruas da cidade.
E que apreenda, essa necessidade
de louvar e defender a Liberdade.
Canto dos homens que se erguem
como o sol, seu ciclo seguem,
lutam pela justiça, pela verdade
onde todos juntos não cedem
pois que lhes pulsa sangue e alma
pois que foram submersos pela calma
e agitam-se por não verem equidade
e gritam por estar em causa a sua identidade
Canto dos sonhos e utopias
de quem sonhou mundo melhor
de quem lavrou e abriu novas vias,
canto dos novos tons, de uma nova cor
onde as mentes não soçobram, vazias,
exauridas por inflingida dor
cheias de tudo aquilo que é nada
donas de uma alma esfarrapada
Canto um mundo sem manias
sem fome, racismo, aleivozias
Canto sem fundamentalismo, mas paz
Canto como quem ama o que faz
como quem se sente repleto de alegrias
que saltitam entre os ramos pendentes
das árvores que falam entrementes
numa línguagem clorofilizada.
Canto essa ária da Natureza
que o Homem, insano, despreza
pois se vai juntando a certeza
que o Homem a destroi com destreza.
Canto da chusma de autómatos balbuciantes
que se afunilam em negro horizonte,
no abismo que se diz fonte
anunciam o fim da fome
da injustiça, da miséria
da dignidade de quem não come
de quem manipula a matéria
Onde estão esses defensores de Direitos?
ou pensam que já estão feitos?
Onde residirem a mentira e a opressão,
os povos sempre resistirão.
Hoje há uma guerra que o mundo assola
e na consciência está a verdadeira mola
A que nos possibilitará um novo mundo
já tanto ansiado, no fundo
fruto dos filósofos e místicos
Canto o povo que olha a vida, desolado
seu fado desempregado
seu valor pisado, sugado,
seus filhos, choram, tísicos
a esperança que arde como vela
editada a vida sem chancela
Canto do fascismo a prequela
E esta nova ditadura, sequela,
Todos os rios vão dar a Bruxelas
E agora é que são elas,
Há um reino que se sonha acordar
todo o planeta conquistar
é o fascismo social
prenhe de ódio visceral.
Sobre a escravatura se esculpe
E esturpa as mentes dos povos seus
Seus são todos os povos, americanos e europeus
Não há Nobel que os desculpe
Arquitectos de um templo corrupto,
pintam ao povo quadro impoluto
E moldam genocídios africanos,
modelos combinados e totalitários
de regime comunista e selvagem capitalista
Ouve-se o petróleo que arde nos canos
ouvem-se coros dos mártires libertários
e esparsa-se a misoginia muçulmana
que apedreja todo o que se desengana
e sacode o jugo da superstição
que se esconde sob o manto da religião.
São os cardeais curvados com o peso do ouro
são os generais que mandam matar o povo
Ideais incendiários financiados com o narcotráfico.
Á noite, no zumbido televisivo,
O Ditador com seu ar seráfico,
anuncia ao povo novo sacrifício
só não se agarra o benefício
Os vampiros andam num bulício...
o argumento repetitivo
incorrecto e faccioso
nas pausas pensadas o arvoar do gozo
O povo finge que dorme, finge que vivo,
carrega às costas o lifesyle dos patrões
Como no tempo dos barões
patrocina o seu tempo ocioso.
Canto do Homem que se consome
e se derrete em toneladas de lixo
criado para ser um bicho
enquanto os senhores de renome
Ambivalentes criticam quem faz a fome
e, depois, em faustosos gabinetes
à mesa de um finíssimo restaurante
afastam os famintos com cacetetes
os poositores com gás lacrimogéneo
Não está assim tão distante
Esse tempo, cavalgante
em que o trono estará vazio
e o rico, já sem pio,
acorre à vida com igualdade
e o povo, liberto do sustento alheio
se concentra, neste mundo cheio
em combater a desigualdade
no campo e na cidade
defender a Liberdade
e viver, no mundo, em harmonia
curar o planeta dos males que padecia
curar a mente que se esvai do homem
Canto o dever de focalizar o Bem.







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