sábado, 4 de junho de 2011

IN SU LAR

Ilhas somos todos nós, em nós mesmos e entre nós fluem oceanos de diversificadas origens e composições, em correntes líquidas multicromáticas com o único Destino de cercar as pequenas protuberâncias que riscam sua superfície aquosa e geralmente arranham quem por lá nade apenas com atenção à possível barbatana de tubarão ou migração do camarão.
Náufragos somos todos nós, deambulando por essas praias desertas, de areia branca e tão pura como sem rugas como as ondas com que os oceanos lambem as feridas da terra. Náufragos de nós mesmos, que nos perdemos e por vezes reencontramos, em fragmentos, que reconhecemos nos intentos dos outros, quando os outros são navios sem luzes e de bandeiras caladas, à noite dos escolhos afiados como dentes de lobos famintos, que caçam, lupinos, em matilhas uivantes na ponta esfarrapada do vento suão.
E as ilhas vão crescendo… aqui tu, ali a casa, acolá o bairro, ilhas fechadas sobre si e abertas ao universo como asas de qualquer estorninho que, devagarinho, canta timidamente (mal parece) a Primavera que lhe corre nas guelras, e trina sem tino alheio ao dobrar do sino.
Ponteiam países nos istmos e penínsulas vertem-se até aos mediterrâneos das nossas origens, Ah! Grécia que te asfixiam, Ah! Portugal que te escamam... Entre Cádis e o Nilo, descendo em escalas musicais infindas, brotam afloramentos rochosos, pilhas, rochas dos mares paridas, em fumo, com lava, entre placas, camadas, tectónicas várias, demarcando as fronteiras cambiantes das marés entre a amaragem dos marinheiros e sua sã camaradagem.
E não seremos todos náufragos despertos em ilhas fantasma, brumosas e de densidade invariável, fincando na realidade as ganas sensoriais que inusitamos de manhã à noite?
E não me chameis David, pois não conhecem o meu Croquete, pastel de bacalhau ou chamussa, e que ninguém me chama Jorgette, qual Juliette, em tête à tête, porque não perdi nada durante a noite.

Há ilhas que aos anos sete, lhes dão uma biciclete, noutras, uma AK47, e como a isso o assunto se arremete, que exercício marcial intenso a invasão por um Estado militarista de ambição imperial por territórios tribais defendidos com a garra de quem pertence à terra, quem foi arrancado da terra em partos dolorosos e secos, agreste a sina de quem se semeia nos espinhaços arbustivos da realidade.
O que para uns é frete, para outros, promete, e há coisas que não deviam sair da sua retrete. Assim, todos somos nómadas por vocação e sedentários por necessidade, daí a raiz urbana que na idade da cidade que percorre, descobre a cada esquina o Bojador dos Labirintos construídos, quais rotas de naus a caminho das Índias, por entre becos e vielas, atravessados por uma luz dourada e radiante no ocaso hidromel.
Noutras ilhas pode-se matar com pistola ou carro aos 16, mas beber uma cervejinha só com 18, mas com um cacete, eu nem sei onde se mete que faz tanta treta e a repete, pois sempre tudo ao vazio remete, quando a alma se não repete.
Não será a Terra uma ilha imersa na noite que a transporta, ilha flutuante, filha ululante, arriba que se debate com o mar espumoso, canhões troando spray salino pela costa, cabos e dedos enregelando-se nas madrugadas avassaladoras e nebulosas, como castelos, fortalezas etéreas nubentes com as rochosas amuradas, redundâncias insólitas prenhes de realidades equidistantes no seu cerne submerso e adormecido.
Reconcilia-se a identidade da ilha de acordo com o conhecimento científico actual como superfície gravitacional rodeada por fluído líquido por todos os lados excepto dois, que serão do seu lado superior e o que se entende como lado inferior, ambos bastante importantes para diversos quadros equacionais fruto de investigações de âmbitos diversos em amplos universos, que, assim como que estando e agindo em sua casa, reagindo às múltiplas existências por vezes como uma alergia expansiva, outras como uma pneumonia retractiva, assim como a Economia que retrai sempre para o mesmo lado, que é o oposto do lado para onde pende o capital, quando cresce, como uma balança desregulada que subtrai à Humanidade a sua ínfima ilhota e remota insularidade que composta em seus mosaicos elementos, respiram e pensam no mesmo oceano existencial

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