Tendo em consideração uma fulcral falta de ética de relação entre as diversas nações que perfilharam a Moeda Única, apenas quando o colosso franco-germânico se vê na iminência de arcar com as consequeências de uma política monetária mal estruturada, é que se decide acordar para a realidade crua dos factos, malhando à esquerda e à direita, pelo Sul afora, prestando contas a quem não sabe do dinheiro que não viu. Especula.
Se a Grécia viciou os dados durante anos, apresentando uma pílula dourada enquanto abusava da engenharia criativa financeira para tapar os buracos orçamentais, significa que a regulação tem falhado, fruto de uma teoria errada que afirma que o Mercado é o seu melhor regulamentador. Faccioso e inepto, este argumento que retira a democracia e o Direito ao cidadão para o colocar de bandeja nas mãos de investidores sem escrúpulos, que não querem perder o resultado das suas especulações, mesmo quando baseados em princípios de ódio e apelando ao incumprimento.
Desde o início, por uma estratégia de criar uma moeda forte, o marco marcou a sua posição alicerçada no seu valor cambial, sem precaver o crescimento futuro da moeda e impossibilitando o mesmo, Portugal, assim como outros países sofreram e sofrem, desde essa altura, as incongruências desta moeda, criada apenas para atestar a superioridade da europa central face à Europa do Sul, em vez de ter criado uma harmonização das divisas europeias, e alcançando um meio termo previamente acordado, exigiu assim uma moeda artificial, férrea e estéril, que não consegue ganhar competitividade face ao dólar, devido a estas assimetrias, criadas e mantidas durante estes anos. Em Portugal, como se tem visto, nada se tem ganho com esta moeda, e o mesmo pode ser comprovado quotidianamente, basta atentar ao que antes se fazia com 100 contos e o que hoje se faz com os mesmos 500€.
Enquanto o povo que trabalha não se unir, a nível europeu, asiático, americano, africano e se recusar globalmente a contribuir para uma sociedade que cospe neles, no seu trabalho, que maltrata seus pais e avós e espezinha os seus descendentes, continuaremos a rumar para um fascismo social cada vez mais exarcebado, assente na falocracia misógina e xenófoba, fruto de uma pseudo humanidade de cordel.
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