Singelas contribuições de um Livreiro XYZ para usufruto e gáudio da Srª Drª Engª Arqª Paisagista, Juíza Desembargadora da Comarca dos Algarves de Além e Aquém-Mar.
Os presentes excertos são fruto de uma árvore que continua a produzir, com sementes, pérolas, o que não faz da árvore ostra por causa disso.
Denominadamente «Resposta na Ponta da Língua» é um mecanismo de apoio à cultura e parte da premissa verdadeira da má compreensão do funcionamento e fenómeno linguístico presente, seguido por um manual de terminologia técnica tão cara ao livreiro actual e moderno.
Parto do princípio, e este não está inserido propriamente no tema que a Livreira explora, de já lhe terem colocado as perguntas abaixo, que é o que intitulo Fenomenologia do café…
- O senhor, é café?
- Não. Sou, neste caso, Livreiro XYZ, ainda pensei em tirar o curso, mas as vagas estavam torradas…
Ou
- O café é normal?
- Porquê? Tem cafés malucos?
Assim, passemos ao assunto propriamente dito, em causa, voltando à vaca fria, antes que aqueça…
- Terminologias de apoio à gestão do conhecimento, tendo por base a Física iónica:
O livreiro português necessita de homologar e uniformizar o se vocabulário, mais ou menos da maneira proposta abaixo:
O livreiro, quando na base de dados, denominado como Portal (aposta New Age esotérica para catálogo) não surge resposta à sua pesquisa, vai ao Cusco (Google), ou ao Wok, (tipo de frigideira oriental) afim de reunir melhores informações. Encontra o que quer, lê o Iene (porque o livreiro actualiza a sua informação bolsista com frequência) através do sacana (scanner) que é como o pirú, embora alguns sejam apenas malcriadões e fazem só beep.
Por vezes, devido ao processamento do computador ser ainda neolítico, o livreiro pode utilizar outras formas de proceder mais rapidamente à pesquisa pelo tamborilar dos dedos no balcão, ou através de uns pedais estrategicamente colocados, afim de emprestarem maior fluidez na comunicação intertétrica. Por vezes, chega a ser esotérmico o tempo de espera, o que pode salientar, observando, que a informação vem do Além. Carvão e outros combustíveis fósseis, pela má atmosfera que criam, tendem a ser suplantados por técnicas mais verdes e sustentáveis, como, por exemplo, o remo.
Quando o rato, inadvertidamente, cai do balcão, deixa de ser rato. Evoluiu para morcego.
Quando chega à parte final do processo, a venda,, o Livreiro experimenta uma técnica que só dá resultado atrás do balcão. Quando o livreiro pede dinheiro (e passamos dias a fazê-lo, e as pessoas, ainda por cima, dão) Se, no exterior, o tentar, poderá ouvir frases desagradáveis. E o livreiro ainda chega a ser inconveniente e demais curioso, pergunta se é para oferecer, se quer talão de troca, entre outras inconfidências e coscuvilhices afins, como, se pode facilitar o troco e perguntas inconvenientes do género..
Aceita-se actualmente quase todos os tipos de pagamento, apenas excluindo o pagamento em galinhas ou coelhos, por falta de espaço para os acomodar, mas por vezes, utilizando cartões bancários, pode-se pagar através de batata frita (chip), e se o pagamento demora a ser efectuado, pode-se sempre perguntar se as batatas são d’hoje, ou alegar-se que o óleo está a aquecer…
Quando o livreiro procura um livro, pode utilizar técnicas incomuns, nas quais o assobiar a ver se eles aparecem, ou fazer como o Roberto Benigni no filme «A Vida é Bela», para lhes chamar à atenção, aquele gesto digital em que os livros são hipnotizados e respondem, latindo, se estiverem bem amestrados.
Há livreiros que arrumam bem os livros com isqueiro, outros fazem um grande chiqueiro, outros há que deitam o cheiro de quem não vê chuveiro (eu gosto de rimar, não são observações pessoais sobre ninguém em particular.)
Em situações limite, o livreiro pode optar pela técnica de venda que nomeio como venda surpresa:
Após dedicar uma boa parte de hora a sugerir livros de inagualável valor literário, o cliente opta por escolher um entre dois ou três que não tinham sido incluídos no lote anteriormente exposto. Qualquer livreiro menos experiente poderia não achar piadinha nenhuma a que a sua opinião fosse tão mal aproveitada e poderia amuar, ou assim... Não poderá ser. Para evitar cair em excessos, a técnica passa por escrever os títulos nuns papelinhos, baralhar atrás das costas e pedir para que o cliente em causa escolha à sorte. Ofereça um livro com sorteio leva-nos a toda uma nova era de fazer comércio, no qual o elemento lúdico se envolve. E, se a clientela se dá bem assim, é o que interessa. Reclamações só aceito nos dias em que estou de folga.
E por falar na folga, é para lá que vou agora.
À prochainne, com outras aventuras
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