Não nos podemos esquecer...
Vivemos num Universo cuja idade não conseguimos calcular, de
uma grandeza que não podemos abarcar, rodeados por estrelas a distâncias que
não conseguimos determinar com precisão, preenchidos por matéria que não
sabemos identificar, e a funcionar em conformidade com leis da Física cujas
propriedades não entendemos verdadeiramente, passageiros de um planeta que
temos imensa dificuldade em estudar, coberto por Oceanos que não conseguimos
desocultar, à superfície rochosa que não podemos penetrar, imersos numa atmosfera
que alteramos sem saber.
E no meio disto tudo, afirmamo-nos como seres inteligentes,
já que nos colocámos a nós mesmos estas questões sem no entanto termos as
chaves correctas que confirmem, desmintam ou acrescentem mais que teorias e
teorias não são mais que sonhos esculpidos com laivos de razão e falta dela,
rabiscados em cadernos indecifráveis cujas capas, negras e duras, protegem o
seu conteúdo de outros sonhos e teorias que outras mentes iluminadas pela
curiosidade poderão imaginar,fomentar, germinar, cimentar e aplicar, embora
pouco em nós se tenha alterado desde o tempo em que, livres, corríamos o Mundo
sem noção de propriedade ou necessidade mais imperiosa que ir andando,
correndo, vivendo e sonhando sob o manto das estrelas desconhecidas.
Sabes, gosto de me expressar por escrito, dada a maior
amplitude na ambivalência das palavras, as quais, sem locuções exageradas ou
tons cromáticos, mas apenas a silenciosa voz do pensamento e as injunções
oníricas da leitura. Por vezes, apenas nos restam as palavras, soltas no vento
ou atracadas a páginas outrora brancas e puras, escrevinhadas e rasuradas,
pensadas ou sonhadas lentamente no calor dos dias.
O excerto que apresento, como te disse, afigura-se-me
incompleto e, confesso, insatisfatório, a necessitar de uma revisão a fazer
quando me debruçar sobre a sua totalidade, pois, incompleto, não me surgiriam
mais que aleatórias modificações sem grande cálculo ou mote. Embora eu não seja
muito a favor de revisões, por preferir a nua impressão indelével do momento em
que escrevo sobre a fria análise posterior, pejada de conceitos e preconceitos
vários e muitas vezes imberbes, logo se verá...Acima de tudo, mandando-me
passear (tentando não mirrar a tua paciência) à laia de quem vai discorrendo
mais uns de quando em vez, a pachorra de leres isto tudo até exactamente aqui
Boas noites

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