EMENTA ALTERNATIVA
Temos toc! Temos toc! Toc! Toc!
Arroz xau ciao com
ventoinhas azuis e salsaparrilha, dois ases e uma manilha, duas voluptuosas
colunas elípticas de chantilly pontilhadas com chocolate picado de mosquito
dengoso. Airoso, filete de basalto em polme bem saboroso. Um presunto serrano,
um queijo rançoso, manteiga de iaque à janela, já idosa, Um balcão de mármore,
quatro mesas desengonçadas, cinzeiro de chão. Um bigode pastoso se ouve no
salão.
Pepinos às rodelas
com banho de orégãos, em salada d’Excel salteada,
com botas da tropa bem cardadas, assadas com molho almiscarado e pitadas de noz
moscada, acompanhado com cabos de fibra óptica e estilhaços de mina anti-
pessoal. Vinho tinto à discrição.
Grão desmistificado e integral, com folha e tudo, fava rica
gratinada sobre geleia de abóbora, sobre cama de cenoura ralada três vezes três
fatias de chouriço corrente guisado com batatas suavemente douradas na grelha.
Benzido como uma relíquia do osso da ponta da falanginha do profeta do
miocárdio da Terra Santa. Quer almoçar, ou também janta?
Brócolos e couve Flôr escalfados ambos com bancos de jardim
pintados de fresco, azuis verdes e vermelhos, brancos e alguns de uma
tonalidade que mais vale nem nomear, tiras de bacon, perna extra e afim, pós de
excelso Querubim ou Serafim, caroços de pêssego marinados, molho de leite de
burra e mostarda, que é teimosa e parda, envolvido em suaves folhas de gelatina
de doce de gila de um quintal em Marvila. A conta da luz não sei onde a pus, a
conta do gás anda para a frente e para trás, a prestação da casa é que nos
arrasa, em coro repetido, na borda do prato vai comendo o rato. Também morcego
se passa por pato.
Pão de centeio, escuro como terra, barrado com granito
britado e alface frisada. Atum, não me digas, com ananás em sopa de tomate
cereja, salsichas frescas de sabe Deus. Acepipes e arrufos, salamaleques de
Outono, birras de meia-noite e azeitona. Bem da cor da tua mona!
Paus de baunilha depreciada, pipocas avalizadas, analisadas
e standartizadas, bem arrumadas, gelados com topping de elementos mecanizados,
rodas dentadas temporizadas, chocolate preto, não! Negro como a noite e grãos
de café, casca de limão, varanda açucarada e cerejas à caçador com ovo a cavalo
pela porta aberta, resfolegando copiosamente.
Queijinho fresco, de soja, bien sûr, grande mamífero,
preparado com pataniscas de componentes informáticos desactualizados, discos
rígidos obsoletos em hecatombe pluricelular de cagabytes cozidos a lenha,
queijo de arroz das belas tetas, regado com molho de caju e engrenagens,
acompanhado de miragens. Boas aterragens.
Soluços modernos e tornedós secretos, suspiros de milho
geneticamente modificado a rodos e arrotos a cerveja de malte, estúpido,
lúpulo. De reserva previamente assinalada em GPS. Gestão de cubo de gelo a
derreter no whisky. Guardanapo de roseira brava. Vá à fava!
Arrepiados de ovos moles, rancho filarmónico, cozido à
camponesa, feijoada de cansaço. Solha e lula, só com factura. Dourada, coitada,
para o carapau foi sempre mau! Espadarte, é d’arte, mas encontra-se esgotado.
Sente-se um pouco, eu canto-lhe um Fado. Com gelo.
Ovo de avestruz estrelado ou mexido, ou cozido, mesmo
assado, é sempre grande, em tortilha. Coitada da avestruz, um bípede valoroso.
Jantes especiais panadas e risotto de parafusos com porcas alimentadas a bolotta,
almôndegas de anilhas, pandilhas, temperado com um pouco de óleo para moto
serra, bem light… está na berra, carnitina, taurina e um fósforo LED, polvilhado
com queijo parmesão á trapalhão, de bigode ridículo e redobrado, nas ventas
encastrado.
Papagaio patinador, meio bovino, meio cavalo, ¼ de besta e
uma boa camada de boa vontade, para dar peso, um labirinto de asas de
borboleta, joelhos de urso, pele de camelo, servido em prato de pedra da lua, a
minha e a tua, enlatada e hidrofilizada, sugada, insuflada, uma valente banhada
e uma carrego de fome. A pena de uma águia xamânicamente transportada, descendo
uma trepadeira, nos cumes das nuvens, nas árvores nebulosas do Sul. Travessa de
binóculos sem presunção, pastel de lama de trincheira e dois tiros de salva,
porque o rei manda, e toca a banda. Banda não incluída, talvez mais tarde,
outra batida.
Dioptrias escaladas em girassol flan. Rabecas laminadas e
caramelizadas em carrossel d’elefantíases morais sazonais. Tártaro de
berbequim, chouriço de berbigão radiactivo, um arbusto proactivo, bucho minado,
vitupério estrelado. Às vezes há baratas. Acompanham bem com caracol. Uma
cervejita e cai que é mole. Para quem não tem papas na língua, míngua.
Pombo-correio no churrasco, privatizado, regado com molho de
natas de golfinho, puré de castanhas de manhas tamanhas e jeans rasgados e
desbotados, num frappé prateado, de fino design nórdico, com três pitadas de lenta
menta flutuantes, enfunadas como velas, caravelas acesas num mar de espinafres
assarapantados com o custo de vida. Carapaus de corrida.
Cogumelos levemente salteados em brandy e vinho verde
fresquinho, cuidado com o caminho, olhos de peixe em mayonaise de resina de coqueiro,
falta de pinheiro, e já os povos da serra nos tinham ensinado que para comer a
pedra é necessário bem a moer, folhas de eucalipto importado, com iogurte de
rinoceronte. Água da fonte. Ou será mijo de rinoceronte?
Três cravos brancos e cinco lírios dourados em flambé.
Farófias distendidas sobre a realidade nua sobre toucinho-do-céu, sarapatel a
martelo. Encruzilhadas de rabanadas desabotoadas, doce de ovos de dinossauro
morfológico, robotizado, em ponto rebuçado. Nano-partículas opalinas debruadas
a alvo linho, soca de sola de carvalho e, de cartas, um baralho. Sueca ao sol
não é coisa que descole, numa redução de Verão, bom serão.
Sobremesas àparte, cadeiras estufadas com mel exótico,
flores flagrantes em sopé melancólico, vinagrete low-cost com salsa, swing e
gloss. Três cambalhotas no Orçamento, uma Fossa Abissal, Galinha do Inferno no
quintal, a ponta de um corno redondo dum carneiro. Finaliza com uma aromática
escotilha emperrada de sumarento submersível, Charroco manhoso, bicho lodoso,
taínha dos esgotos do Porto se não te matou deixou-te torto, morcão, perro
tinhoso, que só se pára de trinchar o porco quando arrotarmos pelo PIB. Au
pont.
Tudo colocado à sua disposição, apenas com um senão, também
há sandes de crocodilo, mas acabou-se-nos o pão. O que vai ser então?
- Ah! Então, quero só um bitoque!

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