Um calafrio na noite...
Assombroso, revoa ao seu redor.
A Lua cala em si a melancolia
E a tristeza anda escondida nas estrelas.
O sangue pulsa à noite na rua
Sem remorsos, frio ou temor.
A morte que nos ronda todo o dia.
Abrupta nas horas serenas...
Clama-nos como sua.
Calafrio poderoso, rasgado e vivo
Cai, cru, sobre o corpo adormecido
Se haverá perdão por omissões e abusos
Que o homem sofre em silêncio incolor
Se não existisse assim, num ritmo
aflitivo.
Mas hipnotizado, hibernando num local
desconhecido...
Talvez fossem diferentes os seus
costumes, os usos,
Talvez fosse igual a sua tarefa, comum
seu amor.
Seria esse um mundo de igual modo
agressivo?
Não há moral na espera vã, no
recolhimento indefinido
Não há valores consentâneos com a inacção
ou ignorância
Apenas recusa, perda e sofrimento…
de algo mais que um Deus adormecido,
no interior vivo do cosmo de sua infância,
como apenas um terno momento.
Clangem espadas em combate no castelo...
suspiros lentos…
na noite, o odor do mar, húmido e nítido.
O homem, só, como uma luz, trémula
Sente o calafrio, o sonho vivo, amargo
da mulher, só, na ponte em suspensão
e ocorre-lhe a imagem d’algo que
desaparece no horizonte
O suicídio abate-se sobre sua mão ainda
incrédula
De vontade indómita, seu coração pulsante
e raro,
Desfere em si a faca afiada, a súbita
explosão
Busca em si parar a vida, que lhe jorra
da fronte
Apenas viveu e morre em seu sangue, em
súmula.
o
reconhecerá no vento que passa
e na manhã que cedo se anuncia
no raiar lento do sol, em flor
só aí se verá quem um dia lhe deu as
mãos
quem com ele ergueu a taça
e o pastor que descansa da numância
dorme em paz nos braços do seu amor.

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