quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

In nu endo

A decomposição de fracções racionais, geralmente, chama-se dilaceração e posterior putrefacção, resposta óbvia do cérebro orgânico face à sistematização normativa da compreensão matemática, quando a mesma é encarada como um bloco de cimento, ao invés de a podermos abraçar como uma lei viva traduzida musicalmente e equiparável à religião.
Os autocarros, ruidosos e fumarentos, sofrem de solavancos crónicos, um nível de Parkinson que actua ao nível dos amortecedores em contacto com as crateras na calçada, por vezes assemelhando-se a uma manteigueira avariada, ou uma batedeira, e os passageiros, os ovos. De facto, há autocarros bastante simpáticos, por vezes mais que certos condutores, ainda hoje me arrepio e me espinho com a memória do terrível, assustador e bigodudo que todas as manhãs ouvia as 24 rosas numa cama. Pelo menos não guinchavam como os sub sub nos seus túneis labirínticos, onde se põe o sol sempre e não se levanta, metálico e betumado, uma paisagem despida da noção de paisagem, um faiscar de cores que se fundem vaga e inutilmente na escuridão abocanhada, apressado num passo assalariado para o trabalho.
Como se a liberdade fosse morrendo esmorecendo de dia para dia, sequestrada, oprimida e escrava. Pelas mentiras do dinheiro. Pff! Primata superior. Símio avançado, semente de luz, filho virgem de constelações dispersas, valente pedaço de merda cósmico., que se alimenta das grilhetas que impõem convencionalismos condicionais juntando carneiros para a tosquia. Grande cabrito no forno me estás a saír…
Por vezes , doem-me os pés e o coração, vagueando, só, na noite, em busca de mim, incorruptível, inabalável, um tom som de luz e cor. Um sonho.
A existência do. O. é uma dimensão irreal contudo visível, no qual o seu signo é coligado intersisticiamente com biliões de essências pontuais, particularmente moleculares , a cola que as une e  o agrega, ao sublime e sincero.
Imóvel, no vácuo, absorto, cru e fixo, nodal e visível, o cerne oculto dá início ao Princípio. No Espaço, minúsculas estrelas explodem silenciosamente no Tempo. Há sempre planetas a nascer, algures, numa bordadura floreada de um sol.
E a brisa percorria teus cabelos, cascatas consagradas a deuses perdidos nos fenos.
Como uma asa de amor jovem é eterno, e a morte um sonho tenebroso e desconhecido, bailando no fino ar que só aos outros atravessa.

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