quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Pelas ruinas


Pelas ruinas, toca o vento

Pedras que escoam História,

Vales por onde ecoa a memória

Enclausurada na raíz do tempo

 

Guardam o fruto de seus segredos

Sussurrados pelos rochedos

 

Erigidas no seu transacto longínquo,

Testemunharam vicissitudes

Viram o povo profíquo

Perder-se em latitudes

 

Repousam ainda, à espera

De serem engolidos pela terra

 

 

No fundo, tudo são manhãs

Prenhes de instante rubor

Fértil dos céus a clarear

Perfume da vida a acordar

O Futuro, sempre presente,

Espelha o passado

Instantâneo e real

Palpável como a nuvem

Que permeia o sol

 

Mesmo sabendo que, à tardinha,

Tão suave quanto breve,

Amanhã também o é

E mesmo ao anoitecer

Como um início

Constante e explosivo

Aurora incansável

Iluminando o mundo

Como um só

 

Como a manhã, o universo,

Mutação perene e endémica

Definida por constantes osmoses

No tranquilo fluir do Tempo.

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