Pelas ruinas, toca o vento
Pedras que escoam História,
Vales por onde ecoa a memória
Enclausurada na raíz do tempo
Guardam o fruto de seus segredos
Sussurrados pelos rochedos
Erigidas no seu transacto longínquo,
Testemunharam vicissitudes
Viram o povo profíquo
Perder-se em latitudes
Repousam ainda, à espera
De serem engolidos pela terra
No fundo, tudo são manhãs
Prenhes de instante rubor
Fértil dos céus a clarear
Perfume da vida a acordar
O Futuro, sempre presente,
Espelha o passado
Instantâneo e real
Palpável como a nuvem
Que permeia o sol
Mesmo sabendo que, à tardinha,
Tão suave quanto breve,
Amanhã também o é
E mesmo ao anoitecer
Como um início
Constante e explosivo
Aurora incansável
Iluminando o mundo
Como um só
Como a manhã, o universo,
Mutação perene e endémica
Definida por constantes osmoses
No tranquilo fluir do Tempo.

Sem comentários:
Enviar um comentário