Se ouvirdes a brisa cantar
Por entre serranos penhascos
Sabei que é a voz do vento, suave, a soar
que desliza nos campos vastos,
não fala de riqueza ou glória.Apenas diz ser vento sua história.
Tudo o mais, que vos apercebeis
Todo símbolo vislumbrado em palavra
Sabei que o vento planta em terras férteis
Na voz silenciosa com que lavra
Sonhos divinos em mentes geniais
Não passando de ser vento, jamais
O vento a si se basta. Insuflou e varreuAbriseirou, por vezes, viveu e correu
Soprando e seguindo seu intento
De sempre ser vento
Nem mais nem menosQue corrente de ar em dias amenos
Ouvindo, então, o vento a palrar
Em silvo prolongado e rufar breve
Sabei que não é ilusão, que vos faz escutar
Esse vazio batido pelo tempo, como neve
Pois sentis em vosso eco, interior, a divagar
A sempiterna força do Ar.

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