quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

rocambolesco


De facto, rocambolesco,
já parcos se recordavam...
Fora vento, fora tempo,
fora maré invejosa,
que varreu o jardim da terra
para esvaziar o mar

E trinava, gozão, o tentilhão,
e tremiam os prédios
em seus alicerces...
E soava um ribombar.

Surdo, não mudo.

Seco, forte, troar assustado.
Que pendurava a morte,
em estendais, pingando,
às janelas rendilhadas.

E labaredas lambiam edifícios,
esecavam, nos parques, as fontes.
Benzia-se o povo descrente,
desabituado de temer.

Choravam, mendigos,
pela salvação, imploravam,
carregando suas âncoras pesadas
que não conseguiam suportar

Leva-te a ti e parte!
Este pedaço de terra afundar-se-á
para dar testemunho
se sua semente.

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